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domingo, 14 de novembro de 2010

Qual o desenvolvimento que queremos?

O que é desenvolvimento humano? Qual a diferença em relação ao desenvolvimento econômico? Muitas pessoas tendem a considerar desenvolvimento humano o lado 'soft' do desenvolvimento. No entanto, desenvolvimento humano é um conceito mais amplo, que incorpora desenvolvimento econômico. Desde que o ganho econômico seja traduzido em melhoria da qualidade de vida das pessoas e não se limite a aumento de renda de indivíduos que já possuem uma renda 'alta' (acima de US$15 mil ano), por exemplo. O conceito de desenvolvimento humano evoluiu muito com dois pensadores: Amartya Sen, economista indiano (Nobel) e o paquistanês, Mahbub ul Haq, criador do Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU.

O conceito de desenvolvimento humano tem como objetivo vislumbrar o aumento da liberdade e da capacidade das pessoas de usufruirem de uma melhor qualidade de vida, seria a realização do ser humano. Para tornar esse objetivo mensurável os índices de desenvolvimento humano limitam-se a renda, educação, expectativa de vida e igualdade, mas isso se deve a limitação de dados disponíveis para cálculo do índice. Como podemos trazer o conceito de desenvolvimento humano não só para países, estados e municípios, mas também para empresas, organizações sociais e indivíduos?

Seria interessante avaliar não só o salário que uma empresa proporciona para o seu colaborador, mas as oportunidades que ela oferece de desenvolvimento pessoal, as qualidade das relações de trabalho, o que ela proporciona para a sociedade e como o colaborador pode realizar seu propósito trabalhando nessa organização. Algumas tentativas de mensurar isso foram feitas por revistas de negócios, mas a meu ver são ainda muito superficiais.

O conceito de desenvolvimento humano é uma resposta mais integral ao conceito de, simplesmente, desenvolvimento econômico e isso pode ser aplicado a vários outros contextos. Ao trazer essa ideia para as organizações, vejo nos negócios sociais uma resposta para a necessidade de instituições mais integrais, que incorporem aspectos humanos, econômicos, sociais e ambientais. Não que os negócios sociais sejam a solução, mas eles são uma tentativa interessante de construir uma organização mais integral.