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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Infográficos Negócios Sociais

Em um post anterior já mencionei alguns desses dados, mas achei muito interessante o post do Rafael Avila com os infográficos sobre a pesquisa de negócios sociais realizada pelo Polo Ande, Potencia Ventures, Avina e Plano CDE.

Essas informações demonstram que embora ainda incipiente o campo de negócios sociais já existe no Brasil e baseado nos relacionamentos que eu possuo com atores neste campo percebo que esses números já devem ter evoluído após a realização dessa pesquisa.

Recentemente estive na Inglaterra em reuniões do Hub e fica bastante claro que ainda temos muito o que evoluir neste campo, principalmente, com estruturas legais e um marco jurídico que viabilizem modelos híbridos como as Community Interest Companies (CIS) que permitem a participação acionária do governo, de investidores e de empreendedores numa mesma pessoa jurídica.

Essa é uma oportunidade para advogados que queiram se aprofundar no tema e apostar em um campo em crescimento!


Mapeamento de Negócios Sociais no Brasil
Blog LUZ - Loja de Consultoria

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O que é inovação social?


Há algum tempo venho escrevendo sobre conceitos que vão um pouco além de negócios sociais. Essas ideias podem ser classificadas como inovações sociais, sendo que os negócios sociais são uma das formas de inovação social. Portanto decidi alterar o título do blog para Inovação Social e Desenvolvimento.

Mas afinal o que é inovação social? Como em todos os novos temas existe bastante discussão e pontos de vista diferentes sobre a definição do conceito. Neste blog assumirei uma decisão mais simples e ampla que inclui todas as inovações que geram impacto socioambiental positivo. Essa definição proposta é baseada na definição de inovação de Schumpeter e que foi aperfeiçoada por outros acadêmicos. O conceito pode ser descrito da seguinte forma: uma ideia implementada para um novo produto, serviço, processo ou sistema que gere transformação social positiva.

Existem autores que definem inovação social como atividades e serviços inovadores que são motivadas para atender uma necessidade social e que são desenvolvidas e difundidas por organizações com fins sociais, mas na minha visão isso pode limitar o conceito (Mulgan et al, 2007). Para mais detalhes sobre o conceito e discussão sobre o tema recomendo acessarem o site: http://www.socialinnovationexchange.org/

Sendo assim, continuarei escrevendo sobre negócios sociais, mas também pretendo trazer experiências de outras inovações sociais que têm contribuído para gerar transformações sociais positivas.

Um exemplo prático que citei no último post é a parceria entre organizações dos três setores para, juntas, gerarem mais valor para a sociedade. Essa forma colaborativa de trabalhar é uma mudança importante em relação a forma dos três setores atuarem isoladamente. O diálogo entre os setores para cocriar estratégias conjuntas tem potencial para gerar inovações sociais que vão mudar a nossa forma de trabalhar e atuar na sociedade. Para isso espaços como o The Hub e outras iniciativas que integrem diversos perfis para buscar soluções de desafios socioambientais são fundamentais para a geração de inovações sociais.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Joint Venture Social


A Tekoha, uma empresa social Brasileira, tem trabalhado muito nos últimos 5 anos para promover a geração de renda em comunidades. Neste tempo testamos alguns modelos de negócios e percebemos que para alcançar nossa visão será necessário integrar os três setores.

Para concretizar essa estratégia de integração dos três setores estamos realizando uma “joint venture” social (mais detalhes: http://catr.se/w8mARy) com o Artesol, organização da sociedade civil fundada há 12 anos pela Dra. Ruth Cardoso. 

Uma “joint venture” é um empreendimento conjunto criado por duas empresas com fins lucrativos e que termina após atingido os objetivos desse empreendimento. No caso da “joint venture” social trata-se de um empreendimento conjunto com um fim social (ampliar a geração de renda das comunidade e promover a cultura e o desenvolvimento local). Como o objetivo é ambicioso e temos ainda muito trabalho pela frente é uma união que não tem data para acabar. Nossa primeira meta é alcançar a marca de R$1.500.000,00 em geração de renda direta nos próximos 3 anos. Para isso precisamos também do apoio de organizações governamentais e estamos negociando algumas parcerias.

A “joint venture” social é mais uma inovação da Tekoha e do Artesol para aumentar nossa eficiência e gerarmos mais impacto social. É um grande desafio e para isso além dos três setores juntos precisamos da participação de todos, seja com ideias ou com pequenos investimentos (http://catr.se/w8mARy).

Este vídeo mostra um exemplo de uma comunidade da rede:

Crowdfunding Tekoha ArteSol from Marina Russo on Vimeo.

Inovações sociais como essa são resultado da busca por soluções para os desafios socioambientais utilizando ferramentas, modelos e ideias de diversos setores da sociedade. Ao transpormos as barreiras entre os setores podemos criar novos modelos de organização e sistemas socioeconômicos que tragam mais prosperidade para todos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Expansão Internacional de Negócios Sociais - a experiência do The Hub


No início do ano fui a Índia para levar a experiência do The Hub no Brasil e ver como poderíamos apoiar as iniciativas de Hubs na Índia. Junto comigo estavam duas pessoas (um alemão e uma romena) que atuam na Hub Company, organização responsável por prover serviços a rede de Hubs.

Durante o workshop que realizamos para mais de 40 pessoas interessadas em iniciar Hubs na Índia observei como brasileiros têm maior facilidade de criar empatia com os indianos, talvez por termos realidades mais próximas. Definitivamente a cooperação sul-sul, termo utilizado para nomear a cooperação entre países em desenvolvimento, tem um papel fundamental na expansão dos negócios sociais. Além de contar com realidades similares (mesmo sabendo das diferenças) temos maior facilidade de criar empatia entre nós e não carregamos um passado de relações conflituosas.

No evento ficou claro como é importante convidar as pessoas para empreenderem junto uma rede global ao invés de “vender” a rede para eles. Em princípio, as pessoas têm certa resistência a ideia de pagar alguma taxa para uma rede global, pois não queremos reproduzir o modelo de franquias. No entanto, nesse caso os Hubs locais são co-proprietários da entidade global e, portanto, você paga para sua própria organização e contamos com um modelo de governança que permite a participação de todos. Esse modelo de governança está sendo fundamental para a rede de Hubs expandir nessa velocidade, somos 26 Hubs e 14 iniciativas (que se tornarão Hubs nos próximos 12 meses) em apenas 6 anos.

Conhecemos muitos atores do mercado de negócios sociais na Índia que são bastante inspiradores para o Brasil. Um deles é o Intellecap, que provê consultoria, conhecimento e tecnologia para negócios sociais. Outro ator relevante é a Dasra, que tem um programa de aceleração de empreendimentos sociais e negócios sociais. A Villgro também contribui bastante com o setor, identificando e incubando iniciativas que contribuem para o desenvolvimento rural. E esses são só alguns dos atores no campo de negócios sociais no país.

Estamos animados com a possibilidade de emergirem vários Hubs na Índia. O país tem um dos ecossistemas mais vibrantes no mundo para negócios sociais e muitos desafios pela frente. A pobreza na Índia (abaixo de US$1,25 por dia) não tem diminuído nos últimos anos e certamente todos os setores precisam contribuir para este processo de redução da pobreza no país. O desafio na Índia é crescer com maior igualdade, pois no momento vemos um processo de enriquecimento das classes mais altas, mas os mais pobres ainda não estão acessando os benefícios do crescimento econômico do país.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um Novo Olhar para a Geração de Renda

O tema do trabalho e da geração de renda costuma ser abordado com uma perspectiva de escassez de recursos. A premissa é que comunidades de baixa renda tem poucos recursos para melhorar sua qualidade de vida.

O trabalho que realizo na Tekoha e as iniciativas do Instituto Elos trazem uma nova premissa: existe abundância de recursos na comunidade, o desafio é criar uma nova economia com modelos de negócios comunitários que gerem prosperidade e criem um fluxo positivo de riquezas.

A geração de renda deve ser um resultado natural ao empregarmos nosso trabalho e conhecimento em atividades demandadas pelas pessoas da nossa comunidade e da sociedade. O fluxo de renda pode estar bloqueado pela falta de um modelo de negócios que disponibilize nossos talentos para um público que precise dos nossos serviços e possa remunerar o trabalho. Muitas vezes, as comunidades empregam seus talentos em produtos e serviços pouco valorizados (serviço doméstico, panos de prato…), mas esses mesmos talentos (servir com qualidade e trabalhos artísticos) podem ser aplicados para produtos mais valorizados (guia de programas de ecopedagogia e brinquedos artesanais de alto padrão). Essas mudanças podem ser realizadas e já estão ocorrendo em várias comunidades.

Estamos realizando um projeto piloto com a comunidade da Juréia para colocar em prática a ideia da Re-evolução, que faz parte da metodologia do Elos. A intenção é desenvolvermos princípios, metodologias e ferramentas que possam ser úteis para outras comunidades criarem um ciclo de prosperidade. O trabalho é estruturado em três eixos: eixo sociocultural, socioambiental e socioeconômico, o desenvolvimento de cada um desses eixos está gerando conhecimento sobre os ativos da comunidade (conhecimento ambiental, técnicas de manejo sustentável, técnicas artesanais, atrativos para programas de ecopedagogia, entre outros).

A partir desses ativos estão sendo criados negócios comunitários como programas de ecopedagogia para escolas e público geral, marcenaria para confecção de brinquedos infantis de alto padrão, comercialização de madeira certificada, espaço para festas e eventos culturais. Esses negócios serão conectados para explorar as sinergias existentes e criar um ecossistema de negócios que nutrem as relações comunitárias, fortalecem a cultura local e preservam os recursos naturais da região.

Uma iniciativa interessante que pode ser somada ao processo da Juréia, citado acima, é o banco comunitário. Esta tecnologia social desenvolvida pelo Banco Palmas no Ceará demonstra, na prática, como as comunidades têm abundância de muitos recursos, mas muitas vezes o sistema econômico não permite que ela os utilize da melhor forma. Assumindo que as comunidades sempre possuem recursos, mas, muitas vezes, eles não permanecem na comunidade, o banco comunitário cria um sistema que incentiva a realização de gastos e investimentos na própria comunidade. A moeda local também fortalece a identidade da comunidade e eleva a autoestima, além dos benefícios econômicos de manter mais recursos dentro da comunidade.

Para trazer essa reflexão para o nosso dia-a-dia é importante avaliarmos onde estamos investindo os nossos recursos e como podemos beneficiar a redistribuição de renda ao comprarmos, viajarmos e investirmos com mais consciência.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Como os negócios sociais podem contribuir com o desenvolvimento e a erradicação da pobreza no Brasil?



Os negócios sociais buscam em última instância erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento. Para buscar esses objetivos é importante primeiramente mapearmos a pobreza e, posteriormente (num próximo post), definirmos desenvolvimento.

A tabela abaixo demonstra que a pobreza está claramente concentrada nas regiões norte e nordeste (ainda mais se medida em relação a população total de cada região). Essa tabela elenca as pessoas com renda per capita de até R$70 (um pouco acima da linha internacional da pobreza que seria US$1.25 ao dia).



Total Pessoas
%
Urbano
Rural

Pessoas
%
Pessoas
%
Brasil
16.267.197
100
8.673.845
53
7.593.352
47
Norte
2.658.452
17
1.158.501
44
1.499.951
56
Nordeste
9.609.803
59
4.560.486
48
5.049.317
52
Sudeste
2.725.532
17
2.144.624
79
580.908
21
Sul
715.961
4
437.346
61
278.615
39
Centro-Oeste
557.449
3
372.888
67
184.561
33
  Fonte: Plano Brasil Sem Miséria

De acordo com estudos que realizamos de negócios sociais na África (principalmente no Quênia) e na Índia, poucos negócios sociais conseguem de fato atingir essa camada mais pobre diretamente. O Kickstart, um negócio social no Quênia (e em outros países do leste Africano), que desenvolve bombas de irrigação para aumentar a produtividade dos pequenos agricultores, não atinge a camada mais pobre da população. Isso não quer dizer que o negócio não contribui para a redução da pobreza, pois ele atinge pessoas muito pobres (mas em sua maioria acima da linha da pobreza internacional) e essas pessoas podem vir a empregar os mais pobres.

Ainda não temos números para avaliar com maior precisão se o mesmo ocorre com os negócios sociais Brasileiros. Para isso, deveria ser feito uma pesquisa junto a essa população mais pobre beneficiada pelos negócios. Pelo que observamos no exterior somado ao mapeamento dos negócios sociais no Brasil, acreditamos que provavelmente a maioria deles deve atingir as pessoas com renda per capita entre R$ 70 e R$ 200. Dificilmente negócios que vendem produtos e serviços (os negócios inclusivos podem atingir um pouco mais essa população) atingem as pessoas abaixo da linha da pobreza, que vivem com menos de R$ 70 hoje, e são 16 milhões de brasileiros.

Esse fenômeno pode se dar por algumas razões. Primeiro, é importante segmentar esta categoria de até 2 salários mínimos, pois este universo compreende muitas diferenças, por exemplo, está nele a população de 16 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, mas também pessoas com renda per capita de R$200. Além disso, muitas vezes essas pessoas são excluídas dentro de suas próprias comunidades, que já têm uma renda bastante baixa. Na Tekoha trabalhamos com comunidades de baixa renda e observamos que muitas vezes algumas pessoas dentro das comunidades não têm tantas oportunidades como outras e numa análise mais superficial classificaríamos todas elas num mesmo segmento de população de baixa renda.

Outra dificuldade para os negócios sociais atingirem essa população é que ela se concentra nas regiões norte e nordeste (76% da pobreza extrema) e nessas regiões, principalmente no interior, o Brasil possui baixa densidade populacional, muitas vezes, com acesso bastante limitado. Isso impede a criação de modelos de negócios financeiramente viáveis para vender diretamente a essa população e dificulta a participação dessas pessoas em negócios que buscam incluí-las em sua cadeia produtiva. Esse cenário é diferente na Índia, por exemplo, que possui um volume imensamente maior (em torno de 440 milhões enquanto no Brasil são 16 milhões) de pessoas abaixo da linha da pobreza. Numa visita a negócios sociais na Índia, ficou claro que densidade populacional é um critério fundamental para um negócio viabilizar-se financeiramente em sua região. O volume de vendas é muito relevante para a viabilidade econômica do negócio que opera com margens mais baixas para tornar os produtos/serviços mais acessíveis.

Outro desafio é a capacidade dessa população adquirir os produtos ou serviços. A maioria dos negócios visitados na Índia eram muito pragmáticos, tinham consciência que não conseguiam atender a população mais pobre, pois estes não tinham recursos mínimos para participarem do mercado consumidor, mesmo com produtos mais acessíveis. Este desafio tem duas soluções já bem desenvolvidas, ou o negócio social opera com uma precificação de acordo com a capacidade de compra, por exemplo, oferecendo gratuitamente para aqueles que não conseguem adquirir, como é o caso do “Aravind EyeHospitals”. Negócios social que surgiu na Índia oferecendo cirurgias de catarata num processo extremamente inovador. Outro caminho é o caso de alguns bancos de microcrédito na Índia e Bangladesh que têm desenvolvido programas de proteção social em parceria com o governo para trabalhar de forma não lucrativa com essa parcela mais pobre da população (é o caso da BRAC em Bangladesh). Entre outras soluções viáveis que não onerem o negócio social que são e poderiam ser desenvolvidas.

Para erradicar a pobreza acreditamos que o papel das políticas sociais é fundamental e os negócios sociais podem contribuir no processo criando oportunidades para os próximos passos dessas pessoas, que após terem uma renda mínima precisam de oportunidades para crescer, se desenvolverem e colaborarem no desenvolvimento de suas comunidades.

Acreditamos que o mapeamento de negócios sociais/inclusivos foi um excelente passo rumo a compreender este campo no Brasil. Nos próximos estudos seria interessante pesquisarmos mais sobre o público atendido pelos negócios sociais. Dessa forma, poderemos entender melhor o papel dos negócios sociais no processo de redução da pobreza e promoção da justiça social e do desenvolvimento sustentável no país. 

Escrito por Carolina de Andrade (@andradecarol) e Henrique Bussacos (@hbussacos)

domingo, 24 de julho de 2011

Apoio a Negócios Sociais, quais modelos fazem a diferença?


Por Carolina de Andrade (twitter: @andradecarol


Tenho pesquisado sobre modelos mais eficientes de apoio a negócios sociais entre outros. Minha experiência profissional apoiando negócios sociais, além da consultoria que realizei para um projeto do governo inglês inspiraram algumas ideias que compartilho neste post. O projeto do governo, “Times de Inovação e Crescimento”, reúne cinco organizações, entre elas incubadoras e redes de “peer-2-peer”, que oferecem apoio a negócios.

No meu mestrado em inovação estudei sobre modelos de inovação. A primeira proposta era linear, impulsionada pela ciência e tecnologia, e que hoje já foi comprovada ser muito simplista, uma generalização de um modelo “Causal” aplicado para um número reduzido de inovações. Este modelo ignora os inúmeros feedbacks do processo, e principalmente o fato de que na maioria das vezes a inovação ou tecnologia acontece antes de ser explicada cientificamente.

Antes de prosseguir, isso não significa que este modelo linear, que foi o berço dos estudos de inovação deve ser completamente desqualificado, pois não apenas a partir dele os modelos mais apropriados foram identificados, como ainda oferece um grande benefício de organização de ideias e de treinamento de pessoas.

Os modelos de inovação mais recentes são os baseados na demanda e necessidade da sociedade (criado por Jacob Schmookler) e circular co-evolucionário que prevê feedbacks no processo todo. Estas teorias vão ao encontro da teoria de empreendedorismo de Sarasvathy denominada “effectuation”, que é uma oposição ao modelo causal linear de planejamento. Segunda ela, empreendedores de sucesso são menos “causais” e tendem a formar alianças e parcerias de sucesso, criando novos mercados que exigem menos ferramentas tradicionais para penetrar. Vale a pena aprofundamento em suas ideias inovadoras.

Apesar de já existir esta consciência em relação aos modelos de inovação em vários níveis da sociedade, persistimos em reproduzir modelos lineares de apoio a empreendedorismo e crescimento de negócios, acreditando que intervenções planejadas em etapas conduzirão negócios ao sucesso em etapas. O “powerpoint” aceita (quase) tudo que queremos criar, mas na prática isso nem sempre é concretizado. Precisamos revisar estes modelos de apoio ao negócios urgentemente, seja em forma de incubadoras, aceleradoras, políticas públicas, ensino universitário ou outras formas.

Um dos principais insights que tive relacionado ao sucesso e fracasso dos negócios é baseado na importância dos empreendedores em ter agilidade para perceber e mudar o modelo do negócio. Segundo estudos, um novo negócio muda cerca de três vezes de modelo até definir aquele que dá certo. Isso ocorre justamente porque existe uma distância entre planejar e realizar. Estar atento a esta diferença é fundamental. Não tenho dúvida que a razão de muitos negócios se arrastarem anos sem alcançar lucratividade ou de morrerem rapidamente é devido a falta desta agilidade.

Esta capacidade de mudança a partir do feedback dos clientes e do mercado pode ser incorporado em novos modelos de apoio a negócio, se estes não são lineares e preveem momentos de assimilar e inovar com os feedbacks. Levando também em consideração que cada negócio é diferente, ou seja, eles podem ou não obedecer "etapas" pré-estabelecidas.

Dessa forma, eu acredito que não existe uma fórmula ou receita de modelos de apoio a negócios a ser seguida, pois eles são diferentes entre si em várias dimensões: tamanho, tempo, indústria, contexto, etc.

Por outro lado, acredito que alguns modelos podem oferecer aprendizados e princípios para inspiração. Entre algumas iniciativas que têm demonstrado bons resultados, está um modelo de apoio intensivo por curto período de tempo, chamado programa de aceleração. Este modelo tem alguns princípios interessantes para inspirar outras organizações, como flexibilidade para apoiar o negócio de formas diferentes respeitando a diversidade de necessidades, muito networking e apresentação para parceiros de sucesso, apresentação para uma rede de pares, que é fundamental para aumentar sua capacidade de apoio (os negócios podem contar com os pares e não apenas com sua ajuda), e finalmente, mudar o modelo mental de apoio por tempo ilimitado que pode causar problemas de dependência e paternalismo.

No entanto, mesmo as aceleradoras não escapam muitas vezes de cair num modelo linear. Por que isso acontece? Acredito que uma razão para a dificuldade de inovar mais radicalmente nos modelos de apoio a negócios (como para qualquer inovação radical) é que a sociedade tende a coletivamente eleger os modelos de sucesso (processo de difusão) e se aprisionar aos formatos selecionados. Este é um fenômeno estudado por Perez Freeman entre outros pesquisadores de inovação.

Como ser uma plataforma de inovação para "negócios"? Eu começaria optando por modelos mais circulares, interativos, e de curto prazo, utilizando a visão de Sarasvathy e princípios inspirados nos programas de aceleração no mundo, depois de conhecer profundamente quais são os "gargalos" neste tema no seu contexto. E "qual o modelo econômico do seu apoio a novos negócios?" Este é outro debate, que discutirei posteriormente, junto a outros aprendizados que desafiaram minhas crenças neste tema no último ano.

Por Carolina de Andrade (twitter: @andradecarol)